O Sendero Luminoso (espanhol para
"caminho iluminado") é uma organização terrorista[1][2] de inspiração maoísta fundada na década de 1960 pelos
corpos discentes e docentes de universidades do Peru (especialmente da província de Ayacucho). Abimael Guzmán
(professor de Filosofia da
Universidade Nacional de San Cristóbal de Huamanga) é considerado seu fundador
por excelência, e adota o codinome Presidente Gonzalo. A guerrilha foi
quase considerada extinta no final da década de 1990, mas
reapareceu na primeira década do século XXI.[3]
O Sendero Luminoso é
considerado o maior movimento terrorista do Peru, e está entre os dois maiores
grupos de ação da América do Sul (ao lado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, FARC).
O seu nome oficial é Partido Comunista do Peru - Sendero Luminoso (PCP-SL)-
dado que existiram diversos partidos denominados Partido Comunista do Peru, e o
Sendero Luminoso foi um dentre tantos outros, nascido de uma divisão interna do
Partido Comunista do Peru - Bandera Roja. O seu objetivo era o de superar as
instituições burguesas peruanas por meio de um regime revolucionário e
comunista de base camponesa,
utilizando-se do conceito maoísta de Nova Democracia. Desde a captura
de seu líder, Abimael Guzmán em 12 de setembro de 1992, o Sendero Luminoso teve apenas
atuações esporádicas.[4]:3 A ideologia e as táticas do Sendero Luminoso
influenciaram outros grupos insurgentes de caráter maoísta como o Partido Comunista do Nepal e outras organizações relacionadas
ao movimento revolucionário internacional.
Após a prisão de Guzmán, vários
líderes do Sendero também foram detidos nos anos seguintes, o que diminuiu
bastante as atividades do grupo. Estas incluem principalmente ataques com
bombas, além de assassinatos e possivelmente envolvimento com o comércio de
pasta de coca. Digladiaram-se
com os militares peruanos e grupos paramilitares supostamente treinados pelo
Estados Unidos, os Sinchis. Além disso, opõe-se a outra grande força
revolucionária do Peru, o Movimento Revolucionário Túpac Amaru.
Estima-se que o Sendero Luminoso teve cerca de dois mil guerrilheiros, e um
grande número de membros em outras funções. O grupo foi responsável pela morte
de aproximadamente 31.000 pessoas, entre civis, camponeses, militares e
militantes de esquerda rivais.
O Sendero Luminoso
surgiu em 1964 como uma
dissidência (bandera roja, bandeira vermelha) do Partido Comunista do
Peru (PCP), sob orientação do carismático professor Abimael Guzmán (conhecido
por sua capacidade de engajar os alunos).
O nome Sendero Luminoso
baseia-se em uma máxima do marxista peruano José
Carlos Mariátegui: "El Marxismo-Leninismo abrirá el sendero
luminoso hacia la revolución" ("O Marxismo-Leninismo abrirá o
caminho iluminado para a revolução"). Esta citação era usada no cabeçalho
do jornal do grupo e no Peru os diversos partidos comunistas são diferenciados
pelo título de suas publicações. Os historiadores e estudiosos em geral
normalmente se referem ao Sendero Luminoso como PCP-SL.
Na década de 1970, o
Sendero Luminoso expandiu suas atividades, inicialmente restritas à província
de Ayacucho, para outras
universidades no Peru, ganhando força como movimento estudantil. Seguia a linha
de outros movimentos revolucionários de então, ou seja: grupos estudantis de
classe média ou média-baixa tentando estabelecer a revolução em bases
camponesas. O exemplo mais destacado é o da revolução cubana; no Brasil desenvolvia-se algo semelhante, na
chamada guerrilha
do Araguaia). Após algum tempo o movimento, no entanto, tentou
abandonar suas raízes na universidade e proclamou-se um "partido em
reconstrução".
Em 1977, o Sendero Luminoso passou da
guerrilha rural para a urbana. Nas eleições de 1980, as primeiras após doze anos de
governo militar, o partido recusou-se a participar e promoveu ataques e boicote
às seções eleitorais. Em maio daquele ano chegou mesmo a esboçar o começo de
uma revolução efetiva.
Na década de 1980, o grupo
cresceu tanto em membros quanto em área ocupada. Suas áreas de dominação eram o
centro e o sul do Peru, além de ter
presença também nos subúrbios de Lima.
Com a captura de Guzmán em 1992 e demais lideranças até 1995, o Sendero perdeu muito da sua
força. Chegou mesmo a enfrentar milícias de camponeses, os quais supostamente
representava. Suas ações passaram a ficar mais espaçadas, sendo as últimas
delas um ataque a bomba contra a embaixada estadunidense em Lima (foram mortas
10 pessoas e 30 ficaram feridas) em 2002 e o seqüestro de funcionários
argentinos que trabalhavam em um gasoduto em Ayacucho (foram libertados após
resgate), em junho de 2003.
Para uma história mais
romântica, procure pelo livro "Dança no Andar de Cima" que conta a
história de Abimael Guzmán, por seu
perseguidor.
Nos anos sessenta, Abimael Guzmán,
professor de filosofia na Universidad Nacional de San Cristóbal de Huamanga
em Ayacucho, Peru, pregou uma revolução maoista em seu país. Nessa universidade,
havia muitos académicos simpáticos aos ensinamentos esquerdistas, entre
eles o antropólogo Efraín Morote Best, que estimulou Guzmán a estudar o idioma quéchua dos índios
peruanos. Sob sua influência, com a mistura de doutrina comunista e tradições
culturais indígenas, Guzmán construiu uma ideologia radical de uma sociedade
semelhante à China comunista, um
sistema denominado "Pensamento Gonzalo" anos depois.
Na sociedade peruana dos anos
sessenta já existiram movimentos de tendência comunista, entre eles o Partido
Comunista Peruano original, porém com o advento dos movimentos de revolução
armados noutros países da América Latina, novas
tendências surgiram entre os seguidores jóvens, entre eles o professor Guzmán.
No princípio do ano 1959, um movimento
guerrilheiro dirigido por figuras carismáticas como Che Guevara e Fidel Castro derrotou o
governo cubano de Fulgencio Batista. Em 1962, alguns membros do PCP original
deixaram o movimento e formaram o "Exército de Libertação Nacional".
Nenhum comentário:
Postar um comentário