Quando triste por muito tempo, acordou-me a flor com suas mesmas pétalas áureas. Aquelas mesmas que, lá atrás, tristes e murchas me fizeram chorar a contemplá-las. Quando saí do coma, pensei ainda estar sonhando, mas não. Estava mais que desperto. Alguns minutos me foram necessários para a reflexão. Ponderei, compreendi, pesei e, uma vez mais, abracei.
Aos encantos daquela bela flor eu cedia a cada minuto. Mas, ela com certeza era mais bela a noite. Fazia questão de transformar-se no escuro. Aquele exemplar frágil e que precisava de cuidados durante o dia parecia lançar mão de todo seu poder para esplendorosamente se impor quando o sol se punha.
Eu, como um bom girassol, acompanhava cada movimento seu. Mais uma vez a flor me acordou. Desta vez do sono e em sua própria cama. Não lembrava mais do seu perfume pela manhã. Ainda mais irresistível. Aproximei meu rosto de seu corpo e inspirei profundamente o cheiro de margarida amanhecida. Inconfundível.
Levantei as mãos mais uma vez e agradeci. Tenho hoje novamente o que cultivar. Desta vez, entretanto, o cuidado será redobrado: Regarei com felicidade todas as manhãs as belas pétalas da minha flor, não a abandonarei jamais e, sempre que puder, estarei por perto. E se ela me quiser, cada vez mais perto, estarei realizado.
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